O Natal chegou! Mais uma vez, recebemos mais um ano para celebrar esta época maravilhosa com nossa família e nossos amigos. Que possamos sempre agradecer e louvar ao nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo por cada uma de Suas bênçãos. No entanto, é também nesta época festiva que a razão de tudo isso, Jesus, muitas vezes é deixada de lado ou, pior, completamente esquecida. Uma figura muito mais politicamente correta assumiu o centro das atenções durante este feriado, às vezes até dentro de lares cristãos: o Papai Noel, ou São Nicolau.

Em vez de Jesus ser o foco durante a época do Natal, essa versão imaginária e altamente comercializada de uma pessoa real (sim, São Nicolau foi uma pessoa histórica do século 4) se infiltrou nos lares de muitos cristãos. Esse velhinho bonachão se tornou tão popular nos Estados Unidos e no mundo inteiro que, quando visitamos lojas e shoppings, tudo o que vemos são representações dele… e de suas renas voadoras, é claro. Pouquíssimas representações de Jesus (por exemplo, em um presépio) aparecem realmente em destaque; na verdade, elas estão cada vez mais ausentes ou proibidas nos espaços públicos.

Perigo à frente…

Como cristãos (e estamos falando especialmente com os pais cristãos), de que forma fazer seu filho ou seus filhos acreditarem no Papai Noel e em suas renas voadoras pode prejudicar a visão que terão de Deus no futuro? Você já pensou em como ensinar seus filhos a acreditar em uma pessoa imaginária, aparentemente onisciente, muito poderosa, amorosa e generosa, mas que logo será descoberta como falsa, vai moldar a visão que eles têm de Deus? Esse não é um assunto muito tratado nas igrejas, principalmente porque muitas igrejas, infelizmente, abraçaram o bom velhinho São Nicolau numa tentativa de contextualizar o evangelho, especialmente porque ele foi uma pessoa histórica real.

Mas pode haver consequências não intencionais em ensinar as crianças a acreditar em um homem imaginário que usa um… roupão felpudo vermelho e branco, tem renas voadoras e um trenó, mora no Polo Norte e entrega bilhões de presentes a crianças do mundo inteiro em uma única noite, por mais inofensivo que isso pareça. As pessoas se esforçam ao máximo para enganar com eficácia os filhos, fazendo-os acreditar que o Papai Noel é real: embrulham presentes em segredo, comem montes de biscoitos e bebem o leite, escrevem cartas falsas e elaboradamente decoradas para o Papai Noel e do Papai Noel, e até compram um pouco de carvão, só por precaução. Sinceramente, isso pode atrapalhar a visão que seu filho terá de Deus quando crescer, e eis o porquê…

O Papai Noel não pode ser visto (exceto no shopping)

As crianças ouvem que não podem ver o Papai Noel (exceto em sua aparição especial no shopping, é claro), então naturalmente dependem do testemunho dos adultos para acreditar; afinal, elas devem confiar nos adultos, certo? Elas ouvem que devem escrever uma carta bonita para ele, deixar leite e biscoitos para ele e comida para as renas, comportar-se bem para não receber um pedaço de carvão em vez de bons presentes (falando em salvação pelas obras!), ir para a cama cedo porque não podem ver o Papai Noel enquanto ele entra na casa delas etc. Até onde elas sabem, o Papai Noel é uma pessoa real… elas só não conseguem provar isso.

Como se não bastasse, as crianças também ouvem que o Papai Noel possui alguns atributos poderosos que elas não conseguem ver. Por exemplo, dizem que ele sabe de tudo (“ele vê você quando está dormindo; ele sabe quando você está acordado”); e que tem grandes poderes (consegue voar com suas renas, passar pelas chaminés sem se queimar nem quebrar os ossos e entregar bilhões de presentes em uma noite). Para as crianças, esse tal de Papai Noel parece bem espetacular! Na verdade, ele parece um pouco com Deus, de uma forma distorcida. Você percebe o problema aqui?

À medida que as crianças crescem, acabam percebendo que o Papai Noel não é uma pessoa real. Descobrem que seus pais, amigos, professores e membros da sociedade fabricaram um esquema elaborado para enganá-las a respeito do bom velhinho São Nicolau. O mundo inteiro delas desmorona. Bem, talvez estejamos exagerando, mas é um dia bastante triste para muitas crianças quando elas chegam a essa conclusão. Algumas de fato ficam com raiva e ressentidas por um tempo, dependendo da personalidade, mesmo sabendo que os pais não tiveram má intenção. Mas as crianças podem ter dificuldade de acreditar em qualquer coisa que os pais digam sobre qualquer pessoa no futuro… inclusive sobre Jesus, já que também não podem vê-lo.

Deus não pode ser visto

A esta altura, você provavelmente já percebeu as muitas repercussões que podem resultar de ensinar às crianças que essa figura conhecida como Papai Noel é real. O aspecto que poderia muito bem destruir a capacidade do seu filho de crer em Deus algum dia é o fato de que também não podemos ver a Deus. Ensinamos aos nossos filhos que Deus é onisciente, todo-poderoso, totalmente bom, onipresente e nos dá bênçãos, mas… não podemos vê-lo. Para um adulto cristão, isso não é problema, pois sabemos que Deus existe por muitas outras provas (por exemplo, o Espírito Santo, as Escrituras, Jesus, a arqueologia bíblica, a apologética, milagres, visões, bênçãos, orações respondidas etc.), mas para uma criança que ainda está em desenvolvimento, isso pode ser difícil de compreender depois de descobrir que o Papai Noel (que também se parece muito com Deus) é falso.

Como as crianças vão crer em Deus (a quem não podem ver) com base no testemunho daqueles que também lhes garantiram, enganosamente, que o Papai Noel (que elas acreditam ter visto no shopping) era real? Isso seria realmente difícil. Como vão acreditar que Deus está cuidando delas e Se importa com elas, se ouviram o mesmo a respeito do Papai Noel e ele acabou se revelando falso? E como as crianças vão acreditar na oração e na comunicação com Deus se a última vez que enviaram uma carta ao Papai Noel acabou sendo a ocasião em que descobriram que ele nunca esteve realmente lá? Por fim, como as crianças vão acreditar que Deus considera seus maus pensamentos e ações como pecado (e que precisam de Jesus) se o Papai Noel, aquele que via se elas eram boazinhas ou não, nem sequer existe? Talvez Deus também não exista ou, se existe, simplesmente não Se importa com a forma como vivemos?

O engano pode durar

Uma consequência não intencional de enganar as crianças sobre a existência do Papai Noel é que elas podem permanecer enganadas a respeito da existência real de Deus por toda a vida; podem ficar convencidas de que Ele não existe, mesmo depois da infância. Veja o que queremos dizer. Como as crianças são enganadas sobre o Papai Noel, dependendo da idade em que descobrem que ele não é real, elas podem dizer a si mesmas, com firmeza, que nunca mais serão enganadas por nenhum outro adulto, especialmente com afirmações enormes como a de que Deus existe. Isso pode fazer com que fechem o coração para receber a verdade sobre a existência de Deus, já que, na cabeça delas, estão se protegendo para não serem enganadas de novo pelos adultos.

Além disso, as crianças podem permanecer enganadas a respeito da existência de Satanás (o diabo). Pense nisso. Depois que descobrem que o Papai Noel não é real, podem rejeitar que Deus seja real, o que as leva também a rejeitar a ideia de que o Diabo é real. Isso as deixaria vulneráveis ao engano de que Satanás não tem nenhuma influência espiritual real em sua vida, a menos que creiam em Cristo. Mas o engano enraizado desde cedo pelos pais terá sufocado a inclinação das crianças a acreditar nos adultos quando eles afirmam que Satanás é real e quer destruí-las, mas que Jesus também é real e quer salvá-las. Crianças e adolescentes podem acabar acreditando que Jesus existiu, assim como São Nicolau de fato existiu, mas podem ter mais dificuldade em aceitar que Ele vive hoje e é Deus.

Algumas sugestões

Bem, o objetivo deste artigo não era desprezar as suas lembranças de infância cheias de entusiasmo e alegria na época do Natal e dizer para você não passá-las adiante aos seus filhos. A intenção não era convencê-lo a nunca mais falar de São Nicolau. Mas gostaríamos de incentivar você a refletir sobre suas crenças e determinar o que é mais importante para você quando o Natal chega: Jesus ou o Papai Noel? Tradições supersticiosas ou a Verdade? A felicidade temporária dos seus filhos ou a salvação eterna deles? Pode ser proveitoso ensinar aos seus filhos quem São Nicolau realmente foi e, talvez, entrar na brincadeira de que as pessoas fazem de conta que ele vem buscar biscoitos na véspera de Natal (ou algo assim), mas sem as outras invenções fantasiosas. Mantenha o foco em Jesus durante o Natal. Afinal, sem Cristo, não haveria Natal (em inglês, não haveria Christmas).

Ensine, sim, seus filhos a serem generosos, honrados, gentis, compassivos e amorosos, assim como São Nicolau, mas, mais importante ainda, assim como Jesus. Ensine-os sobre as bênçãos de Deus; sobre a salvação dEle por meio de Jesus Cristo, o maior presente; sobre os pobres e necessitados de quem Ele cuida e a quem provê por meio de pessoas como São Nicolau e nós; sobre ser grato pelo que temos e pelo que recebemos de Deus e dos outros; sobre família e amizades; sobre a igreja e a comunhão; ensine-os sobre o menino Jesus, Aquele diante de quem até São Nicolau se prostrou em adoração!

Feliz Natal e um feliz Ano-Novo para você! Deus abençoe você.