# Quando você compara, parte o coração de Deus

> Comparar-se com os outros, ou comparar os outros entre si, desagrada a Deus e fere a igreja. Descubra as três atitudes a evitar e a única comparação que vale.

- Autor: Isaac Corzo
- Publicado: 2020-10-01
- Tema: Vida cristã
- Fonte: https://truthinformed.com/pt-br/artigos/quando-voce-compara-parte-o-coracao-de-deus
- Original (inglês): https://truthinformed.com/articles/when-you-compare-gods-heart-you-tear

Você já ouviu ou usou o ditado em inglês que diz "você está comparando maçãs com laranjas"? É o equivalente ao nosso "comparar alhos com bugalhos": significa que se está fazendo uma comparação entre duas coisas sem relação entre si e dificilmente comparáveis, como uma laranja ácida e macia e uma maçã doce e crocante... ou o rock moderno e um taco de beisebol; essas comparações costumam ser difíceis de fazer, se não impossíveis. Mas há outra expressão relacionada, também muito usada, que diz: "é preciso comparar maçãs com maçãs". Isso significa que se está fazendo uma comparação entre duas coisas relativa e razoavelmente comparáveis, como uma maçã vermelha e uma verde... ou o rock moderno e o rock and roll; essas comparações geralmente fazem sentido.

Por exemplo: duas maçãs. Ambas são frutas; ambas são mais ou menos redondas; ambas crescem em árvores; uma é vermelha, e a outra é verde; uma é azeda, e a outra é doce; uma é macia, e a outra é crocante; uma é seca, e a outra é suculenta. Essa é a arte de comparar e contrastar duas coisas. Comparamos e contrastamos coisas o tempo todo... mas isso é sempre benéfico? É benéfico quando é feito com pessoas? E quando é feito com pessoas dentro da igreja? Este artigo vai tratar principalmente de comparar maçãs com maçãs (como comparar maçãs verdes com maçãs vermelhas), mas no contexto dos relacionamentos: **comparar pessoas com outras pessoas**.

A [Palavra de Deus](/pt-br/artigos/a-biblia-sagrada-palavra-de-deus) tem muito a dizer sobre a questão de nos compararmos com outras pessoas, ou de sermos comparados com os outros. Uma dica: Deus *não* se agrada disso. A seguir estão três atitudes que desagradam a Deus, que *não* devemos ter; e depois apresento a atitude que *devemos* ter, que agrada a Ele.

## "Eu não sou bom o bastante"

Você se compara com os outros... e agora acredita que *você* não é bom o bastante. Mas o orgulho está no centro dessa comparação ímpia. Por que orgulho? Porque, quando você sente que não é bom o bastante (por sua própria declaração), começa a invejar os outros por quem eles são, pelo que conseguem fazer ou pelo que têm. E, quando há inveja no seu coração, você está, em essência, dizendo a Deus que *você* poderia ter se feito melhor e diferente do que é, e que *você* poderia ter dado a si mesmo coisas melhores do que aquelas que Deus lhe deu. Isso é a maior bofetada que se pode dar na cara de Deus.

Quando você se compara com os outros, abre a porta para que Satanás coloque mentiras dolorosas no seu coração e na sua mente. Você pensa: "Não sou tão bom quanto esta pessoa ou aquela; nunca vou chegar ao nível delas; as pessoas não gostam de mim nem me elogiam tanto quanto àquela pessoa; quero ser como fulano". Mas aonde *esse* tipo de pensamento vai levar você? Direto a um coração ingrato, invejoso e impenitente, o que desagrada a Deus.

Penso na primeira carta de Paulo aos coríntios, em que ele repreendeu algumas pessoas da igreja de Corinto que diziam ser de Paulo ou de Apolo, como se fossem melhores que os demais simplesmente por estarem associadas a um desses homens. **No entanto, Paulo disse para não se gloriarem nessas coisas, mas para se gloriarem em Cristo, em Deus, que dá o crescimento** (1 Coríntios 3:3-11). A história de Caim e Abel, em certo sentido, também gira em torno de comparações. Pense nisso. Imagine também como a história de Davi e Golias teria terminado se Davi tivesse se comparado a Golias pelo que ele era em si mesmo (um garoto baixinho e fraco), em vez de pelo que ele era diante de Deus (um homem amparado e guiado por Deus).

## "Eles não são bons o bastante"

Você compara os outros com você mesmo... e agora acredita que *os outros* não são bons o bastante. De novo, o orgulho está no centro desse tipo de comparação. Quando você sente que os outros não são bons o bastante para atingir o seu padrão (que você mesmo definiu), na verdade você se coloca como o juiz do que é "bom". Agora *você*, mais uma vez, está dizendo a Deus que poderia fazer melhor do que Ele.

Quando você está tão ocupado medindo as pessoas pela sua própria régua, não tem tempo para amá-las e vê-las como Deus quer, ou melhor, ordena, que você as veja; também não tem espaço no coração para encorajá-las de verdade. Deus quer que você veja os outros por meio do Seu Filho, por meio do Seu amor por eles, além dos seus problemas, além das suas limitações, além do seu nível de entendimento, além dos seus talentos e além do *seu* padrão torto.

Penso em Jesus quando Ele disse, a respeito do fariseu que se comparava aos roubadores, aos injustos, aos adúlteros e até ao publicano ao seu lado: "este \[o publicano arrependido\] desceu mais justificado à sua casa do que aquele outro \[o fariseu orgulhoso\]" (Lucas 18:9-14). O fariseu estava comparando os outros consigo mesmo, e *ele* se achava o máximo, mas Jesus não o via assim, pelo menos não com aquele tipo de atitude e de coração.

## "Nenhum de vocês é bom o bastante"

Em vez de se comparar com os outros, ou vice-versa, você prefere comparar as pessoas com outras pessoas. Essa é outra forma de comparar os outros com o *seu* padrão, fazendo de você o juiz; como resultado, os outros precisam atingir o padrão que *você* estabeleceu. Quando uma dessas pessoas (ou grupo de pessoas) está mais perto do seu padrão do que outra, você as compara entre si para tentar fazer a "inferior" das duas "crescer". É uma forma bastante sinistra de "encorajar" os outros; uma espécie de tática psicológica distorcida.

Esse tipo de comparação está entre os piores para a [saúde da igreja](/pt-br/artigos/7-maneiras-de-prejudicar-a-saude-da-sua-igreja-parte-1), especialmente se você é um líder que a pratica. Comparar pessoas com outras pessoas produz ressentimento, inveja, contendas e todo tipo de pensamentos e ações que ferem o corpo. E Deus abomina "o que semeia brigas entre irmãos" (Provérbios 6:19). A igreja deve ser um lugar onde as pessoas demonstram amor, encorajamento sincero, alegria, paz, bondade, domínio próprio, mansidão etc., e não fofoca, calúnia, distorções, desânimo, manipulação e contendas.

Penso, de novo, em Paulo em sua segunda carta aos coríntios, em que **ele diz que aqueles que se comparam com os outros (ou que comparam uns com os outros) não têm entendimento; que são insensatos.** Paulo não ousava se comparar com os outros ao defender seu apostolado e sua autoridade; em vez disso, ele se gloriava em Cristo. Ele não se gloriava além dos limites porque sabia que **é Deus quem, em última instância, aprova, e não os homens** (2 Coríntios 10:7-18). Ele não comparava uns com os outros, a não ser quando estava fazendo uma observação espiritual que era *boa* (como em Filipenses 3:3-9).

## Cristo é bom o bastante

Mas como combatemos as comparações que muitas vezes fazemos de nós mesmos, ou aquelas que os outros fazem de nós? Comparando-nos com Cristo. **A única pessoa com quem devemos nos comparar é Jesus Cristo, nosso Senhor e Salvador.** Somente Ele é o padrão do que é bom, correto e agradável ao Senhor. Se há uma pessoa em quem podemos nos gloriar, essa pessoa é Cristo!

Então, você está se parecendo mais com Cristo? Está andando como Ele andou? Está amando os outros como Ele amou? Está perdoando aqueles que o ofendem, como Ele perdoou? Está sendo paciente, bondoso, verdadeiro, encorajador, justo, equilibrado, alegre etc., como Ele foi? Se não está, será que não está se comparando com os outros? Ou será que está permitindo que as pessoas o comparem com os outros de uma forma ímpia? Pois bem, volte os seus olhos para Jesus e saiba que, se você O ama e ama os outros, *Ele* aprova você. Não procure aprovação em outro lugar: **a sua identidade e o seu valor estão em Cristo, não nas outras pessoas, nem na avaliação que elas fazem de você.**

## Exceções

Agora, Jesus comparava, avaliava ou julgava as pessoas? Sim, às vezes, e geralmente em relação às suas ações ou ao seu estado espiritual, especialmente à sua fé. Jesus comparava pessoas com pessoas por razões piedosas, e o fazia com justiça, com amor e com verdade. Ele não estava interessado em usar psicologia barata para tentar controlar o comportamento dos outros; e também não estava interessado em usar bajulação falsa, especialmente ao comparar pessoas, para exaltar alguns e ao mesmo tempo derrubar outros. Os julgamentos e as comparações de Jesus eram sempre bons, porque Ele é bom.

Penso na ocasião em que Jesus disse aos Seus seguidores que tinha encontrado uma fé tão grande em certo centurião, uma fé que Ele não tinha visto em todo o Israel. Observe, porém, que Jesus *não* rebaixou os outros ao elogiar o centurião. Também penso na ocasião em que os Seus discípulos Lhe perguntaram: "Ora, quem é o maior no Reino dos céus?", e isso depois de os discípulos terem discutido entre si sobre qual *deles* era o maior. Pois bem, Jesus os colocou no devido lugar bem rápido (Mateus 18:1-6). Ele lhes disse que **é preciso ser humilde, como uma criança, até mesmo para entrar no céu!** Que tal *essa* comparação de pessoas com pessoas? Os discípulos foram comparados com crianças! Mas, novamente, as comparações de Jesus eram de natureza espiritual, e eram *sempre* boas e *para* o bem dos outros.

Também há espaço para comparar quem você era antes (seja sem Cristo, seja em Cristo) com quem você é agora. Definitivamente deve haver uma diferença perceptível na sua maturidade espiritual, e isso é bom. Assim como você esperaria ser melhor numa tarefa ou habilidade se a praticasse (e compararia o seu nível atual com o anterior), você deve comparar o seu crescimento espiritual como cristão... mas sempre se medindo por Cristo. Esses tipos de comparação, porém, não são aqueles a que me refiro neste artigo. *Esses* tipos de comparação são bons e devem produzir o que é bom: principalmente, crescimento.

Os outros tipos de comparação mencionados neste artigo, no entanto, geralmente não são bons nem benéficos para ninguém; eles causam a destruição de relacionamentos. Portanto, **a menos que você possa ter certeza de que suas comparações e julgamentos são edificantes e bons, não os faça.** Lembre-se de Efésios 4:29: **"Não saia de vossa boca palavra imoral; mas sim a boa para a edificação conforme a necessidade; para que comunique graça aos que a ouvem."** Quando você compara, parte um coração... o de Deus, o seu e o dos outros.