# O cristão e o Halloween

> O cristão pode participar do Halloween? Veja a origem da data, o que ela representa hoje e como levar a luz de Cristo, e não as trevas, a um mundo perdido.

- Autor: Isaac Corzo
- Publicado: 2026-10-01
- Tema: Cultura e ética
- Fonte: https://truthinformed.com/pt-br/artigos/o-cristao-e-o-halloween
- Original (inglês): https://truthinformed.com/articles/the-christian-and-halloween

A internet está inundada de opiniões sobre se os cristãos devem, ou têm liberdade para, celebrar o Halloween. As opiniões vão desde a crença de que o cristão é totalmente livre para celebrar o Halloween como qualquer outra pessoa até a crença de que os cristãos estão proibidos até mesmo de colocar simples decorações de outono do lado de fora de casa. Cada lado afirma ter apoio bíblico e histórico para a sua posição, mas, obviamente, só pode haver de fato uma perspectiva bíblica correta; e se ela estiver em algum ponto entre os dois extremos? Mas *a* pergunta crucial é: o que você está levando ao mundo nesse dia, trevas ou luz?

## O que o Halloween já foi...

Tenho certeza de que você já leu artigos, ou ouviu ensinamentos, sobre o que o Halloween costumava ser, mas aqui vai um breve (bem breve) resumo, só por garantia. "All Hallows' Eve" [véspera de Todos os Santos] (ou Halloween, para abreviar) é a noite anterior ao feriado cristão do "Dia de Todos os Santos", celebrado em 1º de novembro. O "Dia de Todos os Santos" é um dia em que a Igreja lembra e homenageia os santos que já partiram, e também os que ainda vivem e levaram muitos a Cristo. O feriado foi estabelecido na época medieval; a Igreja Católica Romana, a luterana, a metodista e outras igrejas protestantes e evangélicas ainda celebram o feriado até hoje. Mas a maioria das igrejas evangélicas deixou de celebrar o "Dia de Todos os Santos" pelo motivo óbvio de que não cremos em santos, pelo menos não da forma como a Igreja Católica Romana os define.

Na época medieval, as pessoas (geralmente os pobres e as crianças) iam de porta em porta durante o feriado, cantando e oferecendo orações pelas famílias de cada casa, em troca de "soul cakes" [bolos das almas] (bolinhos feitos com noz-moscada, canela, gengibre, pimenta-da-jamaica e uvas-passas). Outros também se fantasiavam e encenavam pequenas cenas ou trechos de peças (o chamado *mumming*), também em troca de comida ou bebida. Muitos acreditam que daí veio o "doces ou travessuras" ("trick-or-treating"), que faz parte do Halloween nos Estados Unidos desde o fim da década de 1920. Para mais informações sobre o "doces ou travessuras", leia [este artigo da Wikipédia](https://pt.wikipedia.org/wiki/Travessuras_ou_gostosuras).

Outro costume medieval que acompanha o Halloween é o de se fantasiar de espíritos ou criaturas malignas, mas não pelos motivos que você talvez imagine. Na Idade Média, os crentes se fantasiavam dessas coisas para zombar do diabo e dos seus espíritos malignos; também carregavam lanternas de abóbora para afastar esses espíritos (uma crença supersticiosa, é claro). As pessoas zombavam do diabo porque ele foi derrotado por Cristo na cruz. Como o principal pecado do diabo é o orgulho, elas concluíram que ele devia odiar muito, muito mesmo, quando as pessoas zombavam dele, e foi isso que fizeram! Algo que a Bíblia, aliás, desaconselha (Judas 8-10).

Está claro que o "All Hallows' Eve" (ou Halloween) era, e às vezes é, visto como um feriado espiritual e religioso, pelo menos por alguns cristãos; mas, sim, também por bruxas e pelos que mergulham no ocultismo. Muitos estudiosos acham que o feriado tem raízes no festival pagão celta de Samhain, mas, se for esse o caso (o que é discutível), os cristãos sem dúvida se apropriaram dele. De qualquer forma, há outros historiadores que dizem que o "All Hallows' Eve" surgiu como um feriado cristão próprio, parte de uma celebração de três dias em honra aos santos. É interessante notar que "hallow" [santificar] significa santo ou reverenciado (por exemplo, "Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome", Mateus 6:9). Se você quiser saber mais sobre o Halloween, pode ler [o longo artigo da Wikipédia](https://pt.wikipedia.org/wiki/Dia_das_Bruxas).

## O que o Halloween é hoje...

Então, o Halloween de hoje se parece em alguma coisa com o Halloween da Idade Média e da Igreja primitiva? Quase nada, mas talvez algumas associações estejam voltando ao espaço público, como o Dia da Reforma. Mas, exceto o catolicismo e as poucas denominações de tendência católica, a maior parte do evangelicalismo se esqueceu do "Dia de Todos os Santos" e, consequentemente, do "All Hallows' Eve". Algumas igrejas, porém, estão tentando trazer o feriado de volta às suas raízes cristãs, num esforço para combater aquilo em que o feriado se transformou nos Estados Unidos. Mas, se o Halloween não puder ser trazido de volta às suas raízes, **precisamos analisar, como cristãos, o que o feriado significa e representa *hoje* e, então, tomar uma decisão sábia e piedosa sobre celebrá-lo ou não.**

O Halloween já foi um feriado espiritual positivo para os cristãos, mas hoje tem associações negativas. Enquanto na Idade Média as pessoas saíam orando e cantando pelos outros, ou encenando pequenos trechos de peças, hoje algumas pessoas pregam peças nos outros e às vezes destroem propriedade particular. E, enquanto na Idade Média as pessoas usavam fantasias decentes, hoje as pessoas (até alguns cristãos!) usam o Halloween como desculpa para se vestir de forma inadequada (fantasias para maiores de 18) ou para se fantasiar de personagens malignos sem pensar na mensagem que isso passa aos outros. E alguns homens, especialmente, veem o Halloween como uma licença para desrespeitar as mulheres, aterrorizar os outros e destruir propriedade pública e particular. Sem falar nas festas enormes em que acontecem coisas ímpias.

Além disso, o Halloween hoje se tornou um feriado extremamente comercializado, e as pessoas gastam o dinheiro que ganharam com tanto esforço em fantasias e acessórios que às vezes se opõem a Deus. Duvido que os cristãos estejam sendo bons mordomos do seu dinheiro quando o gastam com essas coisas; mas talvez haja espaço para usar fantasias apropriadas a fim de facilitar a evangelização e a distribuição de folhetos. Tenho muita dificuldade, porém, em acreditar que Jesus ficaria satisfeito com essa estratégia, considerando como um cristão "celebrando" o Halloween seria visto pelos outros (e, não, o rótulo de "cristãos modernos e descolados" não deveria ser uma prioridade; "aquele povo peculiar, diferente e santo" provavelmente deveria estar no topo da lista). E tenho quase certeza de que o próprio Jesus nunca usaria uma dessas fantasias (e, não, os crentes que fazem isso *não* estão "contextualizando" o evangelho; "tudo me fiz para todos, para por todos os meios vir a salvar a alguns" *não* significa se fantasiar de bruxa ou coisa parecida).

## E o "Trunk-n-Treat"?

Dito isso, o "Trunk-n-Treat" (a distribuição de doces a partir do porta-malas dos carros) é uma boa alternativa ao Halloween? Bem, eu não chamaria de alternativa, pois é simplesmente uma mudança de lugar (dos bairros para o estacionamento de uma igreja). A não ser que, por "alternativa", você queira dizer um evento que substitui as festas descontroladas, o perigoso "doces ou travessuras" e o uso de fantasias obscenas. Mas, de novo, às vezes até os cristãos se envolvem nessas coisas nesse dia. *Existem*, porém, algumas formas pelas quais a Igreja tem retomado esse dia para o Senhor usando o "Trunk-n-Treat", que começou nos anos 90, mesmo que isso ainda deixe alguns cristãos desconfortáveis. Muitas igrejas usam o "Trunk-n-Treat" para atrair descrentes para o terreno da igreja, evangelizá-los, distribuir folhetos, tocar música "cristã" e oferecer um ambiente seguro, divertido e familiar para a comunidade.

Essas são as coisas que qualquer igreja que promove um evento de "Trunk-n-Treat" deveria estar fazendo ativamente nesse dia. Se não, ela está simplesmente acompanhando a cultura e não está provocando nenhuma mudança significativa na forma como a sociedade vê e pratica o Halloween. Se uma igreja não evangeliza, não distribui folhetos e não [compartilha o evangelho](/pt-br/artigos/continue-falando), o evento inteiro é um desperdício dos recursos da igreja e transmite o tipo errado de mensagem a todos, dos descrentes aos cristãos maduros na fé. A mensagem transmitida seria: "nós acreditamos em reunir a comunidade a qualquer custo, mesmo que isso signifique abrir mão de quem somos como um povo salvo e *santo*, nascido de novo por Deus; fazer as pessoas se sentirem seguras, felizes e à vontade é a coisa mais importante que fazemos".

Eu *creio*, sim, em resgatar o Halloween para Deus, mas nós, como Igreja, precisamos ter muito cuidado com a maneira de fazer isso. Não podemos nos dar ao luxo de *não* compartilhar o evangelho nesse dia, especialmente quando nos esforçamos tanto para trazer pessoas às nossas igrejas, que elas provavelmente nunca visitam no resto do ano, a não ser talvez no [Natal](/pt-br/artigos/o-cristao-e-o-papai-noel). A Igreja como um todo precisa estar lá fora proclamando o evangelho a um mundo perdido e moribundo; cada membro deveria se envolver de alguma forma em tornar Jesus conhecido aos visitantes do "Trunk-n-Treat" da sua igreja. Os crentes precisam lembrar às pessoas que a morte e o mal (as coisas que os descrentes retratam com as suas fantasias) são reais, mas que Cristo derrotou tudo isso.

## E ficar em casa?

Agora, se você é um crente que simplesmente gosta de ficar em casa, não apague as luzes! Você deve ser a luz do mundo. Em vez disso, quando as crianças aparecerem à sua porta, diga a elas que também é o Dia da Reforma; conte uma história emocionante e assustadora da Bíblia; dê a elas doces com um versículo bíblico ou, melhor ainda, um cartão com o site da sua igreja ou outro site onde o evangelho lhes seja apresentado; ou... apresente você mesmo o evangelho a elas! Não use o Halloween como desculpa para não fazer nada por Deus nesse dia. A sua forma de "protestar" (ficando trancado dentro de casa) transmite aos outros uma mensagem de rejeição, de um coração e uma mente fechados. Seja a luz! Faça brilhar a luz de Jesus em meio a toda a escuridão visível nesse dia!

## Algumas coisas para pensar

Portanto, a questão não é tanto o que o Halloween costumava significar, mas o que ele significa *hoje*. Não se trata tanto de defender a nossa liberdade em Cristo para nos juntarmos ao mundo nesse feriado, mas de *renunciar* *aos nossos direitos* a fim de sermos luz para o mundo, sendo diferentes e separados para Ele (Mateus 5:14-16). Não se trata tanto de quem está certo nessa questão, mas do *que* é certo aos olhos do Senhor. E não se trata tanto de descobrir se o Halloween é lícito, mas de ver se ele é *proveitoso* e *edificante* para a Igreja e para os descrentes, que estão observando como representamos o nosso Deus.

Jesus diz que devemos permanecer no mundo, mas que não somos *do* mundo: "Tua palavra lhes dei, e o mundo os odiou, porque não são do mundo, assim como eu não sou do mundo. *Não suplico que os tires do mundo*, mas que os guardes do maligno. *Eles não são do mundo*, assim como eu não sou do mundo" (João 17:14-16). Mas **você está sendo *do* mundo pela maneira como celebra o Halloween? Pense *nisso* da próxima vez que estiver decidindo com que tipo de fantasia vai representar Cristo nesse dia.**

Vamos resgatar este dia para Deus! Mas... sem exageros. Leve ao mundo a luz de Deus, e não as trevas de Satanás.