# O cristão e a imigração: uma visão equilibrada

> Portas abertas ou fronteiras fechadas? Veja o que o Antigo e o Novo Testamento realmente ensinam sobre o estrangeiro e como o cristão deve pensar a imigração.

- Autor: Isaac Corzo
- Publicado: 2018-07-01
- Tema: Cultura e ética
- Fonte: https://truthinformed.com/pt-br/artigos/o-cristao-e-a-imigracao
- Original (inglês): https://truthinformed.com/articles/the-christian-and-immigration

Nas últimas semanas, você certamente viu a quantidade de protestos contra a posição do presidente Trump sobre a imigração. Parece que até os cristãos estão revoltados e chamando Trump de homem antiamericano, desumano e de coração frio... e com razão (a julgar pela forma como ele descreve os imigrantes e trata as crianças). Mas queremos lançar alguma luz sobre como os cristãos que creem na Bíblia *devem* pensar sobre a questão da imigração. Em outras palavras, qual é o verdadeiro ensino *bíblico* sobre a imigração e sobre a nossa atitude em relação a ela? Ou, pelo menos, que princípios podemos extrair das Escrituras para nos ajudar a ter uma perspectiva centrada em Deus sobre o assunto?

A Terra da Liberdade, com sua icônica Estátua da Liberdade proclamando os ideais que tanto prezamos, é um lugar onde muitas pessoas só sonham em pôr os pés. Fomos abençoados como país, enquanto outras terras foram bem menos afortunadas, e algumas vivem em total desespero mesmo no século 21. Então, devemos nós, como pessoas que servem a um Deus de amor, defender uma posição de "fronteiras abertas" sobre a imigração, ou de "fronteiras fechadas"... ou algo entre as duas? Vejamos o que a Bíblia diz.

## A imigração no Antigo Testamento...

No Antigo Testamento, Deus ordenou a Israel que tratasse os estrangeiros com dignidade e respeito:

\- "E ao estrangeiro não enganarás, nem angustiarás, porque estrangeiros fostes vós na terra do Egito" (Êxodo 22:21).

\- "E quando o estrangeiro morar contigo em vossa terra, não o oprimireis" (Levítico 19:33).

\- "Amareis pois ao estrangeiro: porque estrangeiros fostes vós em terra do Egito" (Deuteronômio 10:19).

Mas **a palavra traduzida como estrangeiro nesses e em outros versículos se refere a um forasteiro que seguiu os procedimentos legais para obter uma condição reconhecida de estrangeiro residente em Israel**, segundo James Hoffmeier em seu livro *The Immigration Crisis: Immigrants, Aliens, and the Bible*. Na língua hebraica, há duas palavras usadas para distinguir entre estrangeiros residentes e simples estrangeiros. Nos versículos acima, usa-se a palavra para estrangeiros residentes (*gēr*), enquanto em outros versículos são usadas as palavras para estrangeiros de passagem (*nekhar* e *zar*). Os estrangeiros de passagem *não* tinham a mesma condição legal e os mesmos privilégios que os israelitas e os estrangeiros residentes reconhecidos.

Além disso, "em nenhum lugar do Antigo Testamento há qualquer indicação de que uma nação *tinha* de aceitar imigrantes, nem de que ser recebido como estrangeiro fosse um *direito*" (Hoffmeier). Ainda assim, hoje, como naquela época, **os estrangeiros *devem* ser tratados com dignidade, respeito e amor. São pessoas feitas à [imagem de Deus](/pt-br/artigos/7-verdades-sobre-a-imagem-de-deus), a quem Deus ama, e devem ser tratadas com justiça**. Muitos imigrantes arriscam a vida para chegar à "Terra da Liberdade", buscando asilo de governos corruptos e perversos que os privam de seus direitos básicos. Mas, por mais que tentemos como país, simplesmente não podemos acolher *todas* as pessoas que vivem sob tirania e que gostariam de fazer dos Estados Unidos o seu novo lar... isso não seria viável, nem sábio.

## No Novo Testamento...

Ao percorrer o Novo Testamento, não encontramos referências diretas à imigração, mas encontramos versículos que falam de governos estabelecidos por Deus para o bem do povo (Romanos 13:1-7; 1 Pedro 2:13-14). **É importante notar que esses governos são estabelecidos para o bem do seu próprio povo, o que significa que quaisquer leis e decretos devem visar, antes de tudo, o benefício, a segurança e a tranquilidade das pessoas governadas.**

É claro que isso *não* significa que devemos, com indiferença, deixar de ajudar quem está de fora e realmente precisa, mas não ao custo de levar o próprio país ao colapso (seja ele econômico, de segurança, social ou de qualquer outro tipo). Nos EUA, a nossa Constituição define esses propósitos: "...os governos são estabelecidos para garantir a tranquilidade interna, prover a defesa comum e promover o bem-estar geral". Ainda assim, aqueles que usam os versículos acima para apoiar leis de imigração rigorosamente desumanas o fazem à custa do evangelho.

Por outro lado, às vezes outras pessoas publicam versículos do Novo Testamento ditos por Jesus para tentar justificar sua atitude de "todos são bem-vindos" em relação à imigração e para supostamente "denunciar" os cristãos que não estariam seguindo o seu amado líder. Um desses versículos é Mateus 25:35, que diz: "fui forasteiro, e me acolhestes". À primeira vista, o versículo parece óbvio e capaz de derrubar qualquer posição contrária, mas, examinando o texto com cuidado, descobrimos que **Jesus não está falando de imigração nem de estrangeiros**. O versículo em seu contexto é:

31 "E quando o Filho do homem vier em sua glória, e todos os santos anjos com ele, então ele se assentará sobre o trono de sua glória. 32 E serão ajuntadas diante dele todas as nações, e separará as pessoas umas das outras, assim como o pastor separa as ovelhas dos bodes. 33 E porá as ovelhas à sua direita, porém os bodes à esquerda. 34 Então o Rei dirá aos que estiverem à sua direita: 'Vinde, benditos de meu Pai! Herdai o Reino que está preparado para vós desde a fundação do mundo. 35 Pois tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber; fui forasteiro, e me acolhestes; 36 estive nu, e me vestistes; estive doente, e cuidastes de mim; estive na prisão, e me visitastes'. 37 Então os justos lhe perguntarão: 'Senhor, quando te vimos com fome, e te demos de comer, ou com sede, e te demos de beber? 38 E quando te vimos forasteiro, e te acolhemos, ou nu, e te vestimos? 39 E quando te vimos doente, ou na prisão, e viemos te visitar?' 40 E o Rei lhes responderá: 'Em verdade vos digo que, todas as vezes que fizestes a um destes menores dos meus irmãos, fizestes a mim'."

Nesses versículos, Jesus está falando do Reino dos céus e de quem estará nele. As ovelhas são os Seus seguidores (ou seja, os crentes nascidos de novo), e os bodes são todos os demais. Jesus então diz às Suas ovelhas que elas herdarão o Reino porque Lhe deram de comer, Lhe deram de beber, O acolheram, O vestiram e O visitaram. Jesus deixa claro que aqueles (os *justos*, ou seja, os crentes) que fizeram isso por Ele serão abençoados. Mas como alguém hoje poderia fazer isso... dar de comer a Jesus ou vesti-Lo? Bem, a resposta está no último versículo, o v. 40. Jesus diz que quem fez isso "a um destes *menores dos meus irmãos*" fez a Ele.

Então a pergunta passa a ser: quem são os irmãos e irmãs de Jesus? Bem, somos nós; *nós, cristãos*. Veja, **o que esses versículos realmente dizem é que quem ajuda um cristão (especialmente outro crente) será abençoado, porque seria como se estivesse ajudando o próprio Jesus (afinal, Ele habita nos crentes!)**. Veja, Deus cuida dos Seus filhos e, por extensão, daqueles que ajudam os cristãos. Portanto, esses versículos não têm absolutamente *nada* a ver com imigração, estrangeiros ou qualquer coisa do tipo. O mesmo vale para aquele famoso versículo sobre dar um copo de água a alguém: esse "alguém" seria um cristão! Leia nosso artigo "*[O copo de água fria](/pt-br/artigos/o-copo-de-agua-fria): o que realmente significa*".

É claro que o ensino mais amplo desses versículos é que é bom ajudar quem está em necessidade; todos devemos ser "bons samaritanos". Na verdade, é verdade que podemos estar ajudando anjos sem saber (Hebreus 13:2). Nós, cristãos, devemos nos esforçar para estender a mão a quem precisa, sem levar em conta etnia, cor, país de origem, sexo, religião etc. Mas, ao mesmo tempo, a única maneira de *podermos* ajudar os outros é se nós mesmos formos fortes como país e como povo, e isso inclui ter leis em vigor que preservem esse fim.

## E a imigração ilegal?

Agora, quanto à imigração *ilegal*, aqui está um resumo do que o teólogo Wayne Grudem acredita que deve ser feito (tirado do seu livro *Politics According to the Bible*):

-   Fechar as fronteiras, pelo menos até que melhores políticas e procedimentos sejam criados.
-   Promover uma reforma abrangente do sistema de imigração (e o ensino sobre ele nas escolas), acabando com a migração em cadeia e tendo uma imigração mais controlada.
-   Ampliar o número de trabalhadores qualificados admitidos nos EUA.
-   Impor regras mais rígidas aos empregadores com relação a imigrantes ilegais.
-   Deportar todos os criminosos conhecidos que estão no país ilegalmente.
-   Exigir algum tipo de registro temporário imediato para que os imigrantes recebam qualquer serviço de qualquer instituição nos EUA (assistência social, Medicaid, escola etc.).
-   Um caminho difícil, mas possível, para a cidadania plena.

Ter uma posição de "fronteiras abertas" sobre a imigração como cristão é equivocado e ingênuo. Nenhum país consegue suportar o peso de milhões e milhões de imigrantes chegando em busca de ajuda e asilo; isso é impossível, mesmo para a nação mais próspera da Terra. A Bíblia está cheia de histórias de nações ou lugares protegidos por muros, então usá-los não é moralmente errado (2 Crônicas 14:7, 27:3; Salmos 51:18; Esdras 5:8; Isaías 26:1; Neemias 12:2; 1 Reis 3:1). Na verdade, muros derrubados numa cidade são sinal de opróbrio e juízo de Deus (Provérbios 25:28; Deuteronômio 28:52; Neemias 2:13; Salmos 80:12, 89:38-40).

Ao mesmo tempo, ter uma posição de "fronteiras fechadas" sobre a imigração (e queremos dizer bem fechadas, sendo quase impossível entrar, mesmo legalmente) também é equivocado e ingênuo. As pessoas sempre encontrarão um jeito de entrar no nosso país, e quanto mais difícil for entrar *legalmente*, mais pessoas tentarão entrar *ilegalmente*. Portanto, o melhor é adotar uma posição intermediária entre "fronteiras abertas" e "fronteiras fechadas", que ofereça asilo a quem realmente precisa e, ao mesmo tempo, proteja o nosso país de indivíduos e grupos perigosos.

Além disso, **ter leis, regulamentos e procedimentos que organizem melhor a imigração não significa que nós, como país e como povo, deixamos de ser compassivos, amorosos e prestativos**. Não há motivo para não podermos ter leis de imigração rigorosas e, ao mesmo tempo, mostrar compaixão para com quem realmente precisa, na medida em que pudermos acolher. Além disso, a melhor maneira de *podermos* mostrar compaixão é ajudar os países a melhorar as condições da maioria do seu povo, para que a maior parte possa permanecer em sua amada terra natal; *esse* é um dos passos mais benéficos que podemos dar para eliminar a pobreza mundial e os problemas de imigração.

## Conclusão

Em conclusão, a prioridade do povo deve ser proteger o seu país de ameaças imediatas à segurança nacional. **A principal função do governo é nos manter seguros e, se ele julgar necessário fazer algumas das coisas listadas acima para garantir a nossa segurança e prosperidade, então é isso que deve ser feito**. É fato que muitos imigrantes que atravessam as fronteiras ilegalmente representam um peso e um perigo para a nossa sociedade, e é por isso que políticas, regulamentos e práticas de imigração sensatas devem ser aplicados.

É claro que, como reconhecemos, há momentos em que pessoas boas, perseguidas e feridas tentam fugir de sistemas de governo opressores (como cubanos, venezuelanos, sírios e até mexicanos). Elas buscam refúgio e asilo nos EUA, mas isso não significa que tenham o *direito* de entrar *ilegalmente* sem nenhuma tentativa de fazê-lo legalmente. Suas ações ilegais contribuem para o esgotamento dos nossos recursos cada vez mais escassos (e para o aumento da dívida), tirando proveito de um sistema generoso que é abusado diariamente. **Como dissemos acima, precisamos primeiro ajudar as pessoas onde elas estão... em seus próprios países.**

Algo definitivamente precisa ser feito em relação à imigração ilegal... e essa é uma questão tanto moral quanto logística, que deve ser resolvida como tal. Por isso, precisamos continuar orando pelo nosso presidente e pelo seu gabinete, para que tomem decisões sábias, que honrem a Deus, que protejam o nosso país e, ao mesmo tempo, estendam uma mão amorosa e prestativa a quem realmente precisa, sempre que possível. Há um velho ditado que diz: "**Os Estados Unidos são grandes porque são bons, e se um dia os Estados Unidos deixarem de ser bons, deixarão de ser grandes.**" Este país, construído sobre princípios judaico-cristãos, deve sempre se esforçar para demonstrar [o amor de Deus](/pt-br/artigos/deus-te-ama), para ser bom... e que isso comece por nós, cristãos.